quarta-feira, 12 de abril de 2017

A minha ausência

A minha ausência tem sempre um significado,
Embora por vezes eu não diga a verdade,
É uma desculpa, um argumento inventado,
É uma fase, não é defeito ou maldade.
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Não estou aqui, nem ali, nem além,
Não estou capaz, nem sequer de falar,
Não quero ouvir, nem saber de ninguém,
A minha alma não está em nenhum lugar.
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Eu sou assim, de uma tremenda inconstância,
Como a temperança dos climas sazonais,
Que para uns, são de grande importância, 
Mas para mim, são dilúvios existenciais.
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Um dia amo, outro dia odeio,
Estou em total descompensação,
Não penso, não sinto , nem creio,
Que no meu peito exista um coração.
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E então, ausento-me para me procurar,
A mim, e à minha esperança,
Que está constantemente a chorar
E tem o tamanho de uma criança.
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Cristina Ivens Duarte-12/04/2017

1 comentário:

Mário Silva disse...

Olá Cristina! Há sempre esperança em Deus... O resto anda à volta...
Beijinhos e parabéns pelo poema. está muito bonito.