quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Roupa velha de bacalhau

Tinha tido um longo dia,
O trabalho me assoberbou,
Fazer comer, não me apetecia,
Aproveitei o que sobrou.

Restou da noite anterior,
Na consoada do Natal,
E como era um dia de amor, 
Ninguém me levou a mal.

Bacalhau cosido com todos,
Todos, são os legumes, as batatas,
Os ovos cozidos, sem cascas.

Mas o que havia, não chegava,
Lembrei-me da minha avó Luzia,
Que tão bem se desenrascava.

Desfiei o bacalhau em lascas,
As batatas parti às rodelas,
Os legumes, e os ovos ficaram na caixa,
Para no fim, se esfregarem com elas. 

Num tacho largo de zinco,
Soquei cinco dentes de alho,
Uma malga de azeite, bem fino.

Em cima de lume brando,
Até o alho, alourar na fervura,
Coloquei as sobras, pensando,
Só no fim, coloco a verdura.

Bati seis ovos inteiros, 
Misturei com grande pujança,
Uma ervas do meu canteiro,
Estava pronto para encher a pança.

Decorei, como me deu na mona,
Uma salsinha fresca, caiu bem,
Não esquecendo da azeitona,
Do lagar da minha Mãe.

Cristina Ivens Duarte-24-11-2016