domingo, 26 de junho de 2016

Tristemente

Tristemente o meu corpo se contrai
quando sobre mim caem gotas de orvalho
e este agradece pela frescura que se espalha
fechando as fissuras do deserto da minha pele.
A sede que eu sentia era um latejar
de um furúnculo que nascia no canto da boca
pela ausência de um beijo.
Mendigando pelos cantos da solidão
o meu voraz apetite dilacerou as faces...
pálidas do meu estômago.
Contorcida de dores...esperneio no meu canto imundo
gritando por uma alma que me acuda
e me dê um prato de amor e compaixão.
Abro a minha boca....a qualquer pingo doce...
ao mais pequeno abraço apertado...
e que me despedacem o coração de tanto constrangimento.
Tristemente a minha fome não finda
sofrendo de sucessivas recaídas
pernoito no lumiar da pobreza
em que o meu corpo grita por mais
e mais...e mais amor.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte




  


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