quinta-feira, 2 de junho de 2016

Dias insípidos

Um nevoeiro cálido e insípido,
sentou-se no regaço da aurora,
vergando as frágeis hastes,
sobre um "hermoso" pantanal.
Sofrendo com tamanha envergadura,
o dia finda cansado e desesperado,
por se estender no manto breu da noite.
Latejam os seus pés simplórios,
e mergulha-os na gélida e estagnada água.
Sussurra ao ouvido de um pássaro ferido
se o cansaço também o atingiu.
Os dois míseros crucificados pelo caçimbo,
partilham as dores da cruz que suportam.
A aurora reza que o dia finde
e que abra as janelas para o glorioso sol.
Aninha-se num canto seco
e pernoita toda esperançosa.
Adormece sonhando com a reviravolta do tempo
e sonâmbula mergulha naquilo que julga ser um oceano.
Cristina Maria Afonso Ivens Duarte

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