sábado, 21 de maio de 2016

Quem me dera

Quem me dera que os teus olhos fossem
duas janelas abertas, viradas para o por do sol
e fizessem explodir em mim, um tribulhão de sentimentos
todos diferentes da saudade.
A tua ausência limita-me, torna-me paraplégico
os movimentos estagnaram-se e um pântano surgiu
no meu corpo enfermo. Ruínas e muros deitados abaixo
se assemelham à minha melancolia.
À tona anda o meu pensamento
com o desejo quase de me drogar com a tua presença.
Compensa-me snifar o teu perfume e matar a ressaca
de um toxicodependente a tremer de amor.
Quem me dera que os teus olhos fossem meus
os meus sonhos iguais aos teus.
Oh! meu amor, vem depressa, injecta-me
e dilui no meu sangue a tua heroína
inconfundivelmente pura.
Cristina Maria Afonso Ivens Duarte

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