terça-feira, 24 de maio de 2016

Palavras soltas

Tanta coisa ficou por dizer, por fazer
a lareira que deixamos queimar
as velas que arderam até ao fim
as janelas abertas, as cascas de amendoim,
espalhadas pela furia do desejo incontrolavel.
Toda a cumplicidade, as impressoões digitais,
a nossa humidade.
Os fluidos corporais, a nossa cama de rede,
baloiçando , nunca visto, jamais.
O sol queima a epiderme e a noite tornou-se
impermeável, eramos dois em um.
Um olfacto, uma boca, um louco, uma louca
á mercê da maré, sem vestigio algum,
sem toalha, sem pé.
Tanta palavra solta.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte

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