quarta-feira, 18 de maio de 2016

A queda para a serenidade

Os meus pés sentem uma forte atracção
pela queda livre e em milésimos de segundos
atiram-me para a frente como se dissessem:
Vai, ali serás eterna, orienta o voo com as pálpebras
e suaviza o impacto chorando um pouco, até formares
um pequeno lago.
Lá, encontrarás o dicionário da vida, filtra o conhecimento
com as pontas dos dedos e pede ajuda aos girassóis
se não achares a serenidade.
Vais encontrar pelo caminho várias vagens de baunilha
para purificar o teu intimo e marcar o teu território.
Tem cuidado com o açafrão, não confundas as cores,
as liláses provocam confusão e as brancas dissabores.
Canta durante o voo, os rouxinóis esperam-te com
migalhas de amor para celebrar a tua chegada.
Sentirás um nó na garganta quando eu te empurrar
mas, é um pequeno ataque de ansiedade provocado
pela alegria, de compartilhares com o vento a sensação de voar.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte

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