segunda-feira, 16 de maio de 2016

A preto e branco

Infeliz com a minha enfermidade
prestei uma ultima homenagem à vida
uma maestrina de tenra idade
surgiu com uma dor igual à minha.

Ambas carecas de saber
que a morte já estava por perto
eu de branco, linda de morrer
ela de preto, como o céu encoberto.

A doença acompanhou-nos
num concerto à beira mar
a harpa enfeitiçou-nos
a maestrina pôs as mãos no ar.

Com movimentos graciosos
as batutas fizeram magia
esquecendo-me dos dias chorosos
apaziguei toda a minha agonia.

O céu ameaçava temporal
e o cântico teimava em não parar
não havendo cura para o meu mal.
prometi a mim mesma não chorar..

Contive-me com toda a firmeza
para não fazer um pranto
naquela hora tive toda a certeza
que a morte era a preto e branco.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte







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