sexta-feira, 8 de abril de 2016

Aonde pára a inspiração

Hoje falta-me a inspiração
sinto-me oca, vazia por dentro
só queria um pequeno empurrão
nem que fosse dado pelo vento.

É musgo que me atrapalha
escorrega e me faz tropeçar
na mente tudo embaralha
é novelo por tricotar.

Caiem malhas pelas agulhas
deixa o tear esburacado
picam na mente como fagulhas
por um tempo indeterminado.

É por aí que tudo se escapa
e me deixa a cabeça sem ideias
sem memórias parece que mata
feridas com mil centopéias.

Insecto nojento que me repugna
inunda o meu pensar de pesticida
arrasta-me com ele e me afunda
faz de minha inspiração sua comida.

Preciso de me desinfestar
e fugir deste arvoredo
quero asas para poder voar
e libertar-me deste medo.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte






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