terça-feira, 15 de março de 2016

Há dias

Há dias que o meu olhar só pede flores
mas, chove tanto lá dentro que nem a poesia
cabe em nenhum lugar.
As palavras ficam presas nas minhas pálpebras
e na sua vez, caiem lágrimas de vazio, que
num só trago as engulo, como se de um
bom cálice de vinho se tratasse.
Mas não, está toda arruinada a inspiração,
só vem à mente sinónimos de solidão,
tristeza e desamparo..
Só queria que o corpo se ergue-se
e desse um grito de aleluia aonde a
minha poesia fosse de amor e calmaria.
Sei que há nuvens passageiras que nos cobrem,
como persianas e nos deixam ás escuras
por vários dias, sentindo-nos nas mais
profundas tristezas, capazes de nos transformar
em seres inúteis e incapazes.
Mas é assim, há dias.

Cristina Ivens Duarte









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