segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Quando a lua me chamou de irmão


Moribundo e perdido nas ruas
me deito e cubro com as mãos
no chão que me acolhe com ternura

chega a lua e me chama de irmão.

Meu irmão encosta-te a mim
que a fogueira aquece um condado
não sei se te lembras de mim
vivias na rua e embriagado.

Aproxima as mãos das braseiras
e colhe o pão do meu regaço
sente o cheiro da fogueira
dá-lhe um beijo e um abraço.

Enche a barriga de quentura
porque a noite já lá vai
ficas tu mais a lua
porque a rua não tem Pai.

Vem ter comigo sempre de noite
porque a tua lua não dorme
tenho irmãos nos bancos das ruas
à chuva e cheios de fome.

Cristina Ivens Duarte





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